quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Jack Kerouac X Luis Carlos Maciel

*Leonardo Parente

Interessante como é bom escrever sobre improdutividade criativa, significa o quanto você está com vontade de voltar a escrever por livre e espontânea vontade. Atualmente estou estagiando em uma assessoria de comunicação, numa ótima empresa, com um salário justo. Estou acabando o semestre, ano que vem formalizo o carma de ser “periodista”.


Tempo tomado e muita preguiça criativa, leitura lenta de dois livros: Negócio Seguinte de Luiz Carlos Marciel e On The Road de Jack Kerouac, um dos livros e de reportagens e entrevistas, o outro literatura “junkie”. Confesso que fico com o “contraculturísta brasuca”. Acho que as histórias da contracultura, são melhores quando contadas, biografada, pelo menos em relação a On The Road. Estou na metade e preciso dizer que não estou amando, creio que terei que ler novamente para tirar a prova dos nove, mas não me engano, nunca consegui ler mais uma vez um livro que não curti.

Tenho a segunda edição de Negócio Seguinte que comprei no sebo do argentino da Berinjela, ali perto do Elevador Lacerda, a coletânea foi lançada em 1982 pela Codecri. Ele está todo fodido, soltando as páginas, na primeira está escrito PT 3A, 28/12/1983, certamente a data que alguém comprou ou ganhou. O livro foi mais um da coleção do Pasquim. Entrevistas do caralho como as dos Novos Baianos e a de Glauber Rocha, nos fazem ler do início ao fim.

On The Road de um todo não é ruim, pelo contrário é bom, só que eu não posso dizer que seja algo que mudou a minha vida, o título pé na estrada me chamou mais a atenção do que a idéia de ser um bíblia dos jovens dos anos 60, isso porque tenho o sangue mochileiro, e nessa questão Sal Paradise e Dean Moriaty, personagens principais decepcionam um pouco, pelo menos a mim, a forma americana de ser mochileiro não me agradou.

Assim que acabar de ler um dos dois, certamente lerei algo de Júlio Verne, sempre colocando muita aventura nos seus textos e alguma barreira que o personagem precisa ultrapassar, isso me instiga, na minha opinião, Verne é o melhor mochileiro que já existiu.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Os malucos mais beleza que já conheci

Um homem de comportamento estranho sentou ao meu lado no caminho para casa. Durante o percurso, o homem de pele negra fazia movimentos alternados. Ora puxava os fios do seu cabelo crespo, ora alisava os pelos da sua barbicha já grisalha que restava no queixo. Durante essa oscilação, o homem não parava de abrir e fechar a boca continuamente. Era como se dissesse bababá, sem que se ouvisse os sons, apenas batia o lábio inferior com o superior.

Olhei para ele querendo entender o que fazia, mas com a mão na cabeça, puxando os fios crespos, me olhou e sorriu, com um sorriso demente. Retribui do mesmo modo, com um o sorriso demente.

Essa imagem me remeteu boas lembranças, de períodos que eu vivi rodeada de malucos - devidamente comprovados. Lembrei de alguns loucos que passaram por minha vida e o primeiro, pela ordem cronológica chama-se Jane.

Mesmo com nome feminino, Jane era homem - pelo menos era o que parecia. Jane amedrontava todas as criancinhas de Coqueiros, município de Maragogipe, no recôncavo baiano. Lembro, das férias em Coqueiros e do jeito agressivo de Jane, tão atrapalhado das idéias... O grande problema de Jane era porque atirava pedra nas pessoas.

A segunda experiência manicômica, por assim dizer foi com Nalvinha. Tornei-me amiga dela quando eu tinha 13 anos. Todos a enxotavam e a minha missão todas as manhãs, era levar café preto com pão para ela, que dormia no chão de um bar na frente da minha antiga casa. Consegui entender um pouco de Nalvinha e ela me disse que sua melhor amiga fez macumba para ela perder as idéias e deixar o caminho livre para a traíra roubar seu marido. Nalvinha era uma mulher de corpo suntuoso e com uma inteligência roubada. Me afastei de Nalvinha, num dia em que estava com o juízo nos pés. Em um ataque de fúria, ela se levantou e esmurrou uma amiga que estava ao meu lado, sem motivo algum. Foi uma das primeiras grandes decepções que eu tive com alguém.

Luiz Carlos, mais conhecido como Linho. Linho era o típico louco que te olhava com olhar de maníaco e ria um sorriso apavorante. Puxava também fiapos do cabelo e apertava o queixo e batia a boca. Ainda assim, passei muito tempo conversando com Linho. Descobri que ele ficou louco porque tentou vender suas composições musicais nas rádios e foi barrado pela censura, pois se tratava de letras obscenas. Realmente achava na época que suas músicas não fariam sucesso algum, mas nunca disse isso para ele. Linho pirou. De vez em quando sumia e suas irmãs me diziam que ele estava no hospício. Numa dessas idas, ele não voltou mais. Linho morreu com o sonho de vender músicas, mas foi até bom assim, pois se ouvisse as atuais composições entraria em parafuso de vez.

Por fim Rubinho, um ex-trabalhador do pólo petroquímico, um homem inteligente, endoidou de tanto beber na intenção da sua mulher que fugiu com outro. A dor de corno foi tanta que Rubens estava invariavelmente bêbado. Ele tinha uma mania azucrinante de ranger os dentes, mas mesmo assim, eu gostava do seu papo. Rubens emitia opinião sobre qualquer assunto. Sabia de tudo que estava acontecendo da política até sobre o mais novo feito científico. Mas soube esses dias que Rubinho morreu de tanto apanhar.
Nunca quis ser psiquiatra, não consegui ao menos terminar o Alienista de Machado de Assis, mas sempre me senti atraída por essas pessoas. É uma pena, não ter mais acesso com facilidade a um doido devidamente comprovado, mesmo estando rodeada de gente que falta pouco para comer bosta.
* Milena Brasil

quarta-feira, 25 de julho de 2007

20 de julho de 2007, o dia em que Salvador ficou livre!

Foto: Capturada da TV




Ó Tuninho,
tu não fazes falta alguma.
A Bahia agora é livre,
medo que antes pairava,
agora não mais nos importuna.

Tua cabeça branca.
Teu andar de pato.
A tua maldade explícita,
espanta.

Tu es o vingador de Caverna do Dragão.
Tu es Brutos de Popeye.
Jasom.
Fred Kruguer.
Regan.
Hitler.

O teu sarcasmo ficará imaculado.
Besta derrotada.

Leonardo Parente

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Da agenda setting para a rádio novela

Os temas propostos pela agenda setting estão cada vez mais chulos. Para início de conversa, não da mais para perder tempo discutindo com alguém diferente de você. Isso se tornou deprimente porque os assuntos que a mídia oferece estão batidos demais, não há mais inovações. As pessoas repetem o que ouvem e nada é mais novo. A bola da vez é o caos nos aeroportos brasileiros. A mesma revolta dos passageiros que não tem outro meio de transporte que não sejam os aviões domésticos, virou a novela das oito.


Piadinhas sobre a última garfe que Lula cometeu, o governo ditatorial de Hugo Chavez, a grife da calcinha da nova celebridade em questão, queda do dólar, alta dos juros, conselho de ética que não é ético, morte e vida de ACM e o mundo de Valentina. Seria isso o Show de Truman 2? Sinceramente não da para comentar sobre isso. Até que é legal a opção das empresas se tornarem ecologicamente corretas, mas não consigo compreender a boa intenção das organizações, sempre sinto o cheiro de sujeira no ar.

Os temas mais pautados aos domingos são sobre o meio ambiente. Mas, as pessoas estão com um pouco de saco cheio e preferem não se importar com isso agora. A agenda às vezes não consegue ditar para sua audiência sobre o que é bom falar, o que é legal conversar nas mesas de bar. Os jornais estão sendo formatados para atender a um público sem tempo, que gosta de muita imagem, textos pequenos e títulos grandes, isso é preocupante!

Já foi o tempo em que eu achava graça nas piadinhas do casseta e planeta. Acabou a graça e ninguém consegue perceber isso. Vou voltar para a rádio novela, só que digitalizada. Poderia ser um regresso, mas isso me remete a algo bom, a um passado do qual eu não fiz parte. A realidade era o que cada um queria imaginar. A imagem se fazia de formas diferentes, mentes livres para imaginar o que quiser. Quando acabar vou ler meu mais recente livro de Fante, uma ótima opção para mim, para os meus dias de férias acadêmicas.




*Milena Brasil

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Piratão Movie é a saída do baixo clero

As restrições ao domínio público e a falta de mecanismos que possibilitem o livre compartilhamento dos bens culturais é uma ameaça maior à propriedade intelectual hoje no mundo do que a pirataria” afirma o Ministro Gilberto Gil em uma entrevista dada à Agência Brasil em 2005.

Tempos se passaram e nada mudou. A pirataria está cada vez mais abrangente e especializada. É verdade que os maiores piratas de CD e DVD do Brasil não são os pobres camelôs nem eu, que “roubo” quase todos os dias, uma obra das entranhas da Internet, e sim os grandes comerciantes e empresários que estão por traz dessas e outras infrações.

Quando surgiu no Japão, um DVD Player custava cerca de R$ 1.000,00 a R$ 2.200,00 e uma obra em DVD mídia não saia por menos de R$ 100,00. No Brasil, a tecnologia chegou em 2001 e começou a ganhar força em 2003, quando à pirataria do CD já estava em alta. Às locadoras já estavam num processo de substituição da fita VHS para o DVD e os hackers já desenvolviam a tecnologia DIVx para clonar o DVD.

Em 2004, a popularidade do DVD aumentou com a queda do valor do DVD player chegando a R$ 500,00. Como se não bastasse, leitores de DVD que também copiavam a mídia entraram na jogada, os computadores pessoais já passavam a vir com um Drive de DVD – RW, ou seja, um drive que copiava o DVD, agregado a tudo isso, as mídias virgens também já estavam sendo vendidas. Sopa no mel!

Hoje, qualquer computador, por mais barato que seja possui um gravador de DVD. A mídia de DVD com capa sai por menos de R$ 1,00 e os aparelhos podem ser encontrados por até R$ 99,00. Sem contar que podemos encontrar e baixar tudo na rede, inclusive filmes que ainda não foram lançados.

As locadoras de filmes cobram proporcionalmente mais caro o valor de uma locação de DVD em relação ao que cobravam na época do VHS. Certos locais cobram R$ 7,00 pela locação de um lançamento. O mercado piratão cobra R$ 5,00 pelo mesmo lançamento, com uma diferença, você não precisa devolver e poderá assistir quantas vezes quiser.

Daí vem toda uma questão justa de direitos autorais, propriedade intelectual, entre outros pontos. O autor tem o direito de lucrar sobre a sua obra, mas quem mais perde quando alguém clona um musical ou um filme não são os artistas, diretores e nem cantores, são as grandes gravadoras e produtoras. É verdade que ha muito tempo os artistas já não lucram em cima de CD e DVD e sim com shows, publicidade, etc.

O ministério da Justiça, hoje dedica um espaço em seu site, para publicação de tudo que se relaciona a pirataria, tanto de produtos áudio –visuais, quanto tênis, softwares, roupas e muitos outros. O site é o http://www.mj.gov.br/combatepirataria/. Foi lançada também a campanha: Pirata Tô Fora! Só Uso Original (http://www.piratatofora.com.br/), uma campanha do Sindireceita e Ministério da Justiça.

É cada vez maior à ação da Polícia Federal em relação aos produtos piratas, em especial o comércio de CDs e DVDs. Tal ação só está se tornando exaustiva por conta de pressões estrangeiras (leia-se pressões estrangeiras como Hollywood, Sony, etc.) para que o governo do Brasil se posicione.

Mas, pelo o que estou observando, me parece que eles estão abrindo os olhos e partindo para a saída mais inteligente que é baratear os preços. Há um ano atrás, queria comprar as versões originais do filme O Chamado, não o remake americano e sim o original japonês, tido como raridade. Essa trilogia não saia por menos de R$ 150,00, o que sinceramente me desanimou. Só não fiz pirataria, pois não achava em locadoras. Outro dia, passeando por uma loja de departamento, na parte dedicada a áudio – visuais vi um balaio de DVDs com preços bastante chamativos, R$ 9,99, R$ 12,99 e os mais novos por R$ 19,99, entre eles encontrei os dois primeiros filmes da trilogia que eu queria há um ano atrás, ambos por R$ 20,00. Não acreditei e logo joguei na cestinha.

Agora virou moda, centenas de bons filmes a preço de banana, não só filmes como Cds também. Me parece que entenderam o recado da sociedade e estão resolvendo a questão com a solução que já era obvia, PREÇO!

Re-analisando prefiro comprar um filme original, com alta qualidade por R$ 9,99 do que um piratão por R$ 5,00, só não descarto a possibilidade de baixar o arquivo na internet caso eu ache.

O povo inconscientemente pede cultura. A vontade de ver um filme, de escutar um CD seja comercial ou cult, felizmente aflora no baixo clero. À família brasileira merece uma outra saída ao Domingão do Faustão, Gugu e Leão. E tenho dito, se o preço não baixar a solução é piratear.

* Leonardo Parente

terça-feira, 5 de junho de 2007

Estou buscando inspiração para escrever poemas, mas ao contrário dos textos, onde você tenta escrever mesmo sem inspiração, para o poema precisa-se de um dom, é necessário nascer poeta.

Não adiantaria entender todos os sonetos compostos, pesquisar a vida e obra dos mais célebres poetas. Você precisa enxergar poesia nas coisas, num simples olhar. É preciso transformar palavras em versos, transformar letras em canção. Mesmo que essa canção não tenha ritmo, não tenha sentido, mesmo que as letras destoem.

Gosto de poesia depressiva. Queria ser como Florbela Espanca. Não queria ter sua tristeza, nem sua amargura, só queria saber fazer com as palavras o que ela fez. Queria poder transformar um sentimento em um poema e que pessoas pudessem retirar dos poemas um consolo para sua dor.

Pípi anda meio angustiado e inquieto. Ele precisa usar uma coleira em forma de cone para que não tenha acesso ao ferimento no rosto e não torne mais grave. Seu olho triste e molhado me causa tristeza. Seu olhar me pede ajuda, mas ele não sabe que estou tentando ajudá-lo com essa coleira que coloquei no seu pescoço para ajudar a curar a ferida. Ele não está conseguindo dormir hoje, nem eu. Ele não precisa me dizer uma só palavra para fazer-se entender, a poesia para mim está nessas coisas.
*Milena Brasil

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Ê Bahia...

Tento concentrar-me para começar a escrever algo, seguindo os conselhos que Milena Brasil havia descrito no texto anterior, dica de um escritor, acho que trata -se de Charles Bukowski, onde ele disse que a melhor inspiração para escrever é escrever, ou seja, uma palavra puxa outra. Mas, se existe uma coisa que me irrita é barulho, principalmente os que não saia de uma guitarra, que seja no lugar errado e na hora errada.

Trabalho e estudo no Centro de Salvador e nesse exato momento em que escrevo, uma passeata segue a Avenida Sete de Setembro. São manifestações contra o arrocho salarial, enquanto isso, uma loja de confecções que dispõe de duas caixas gigantes de som na sua porta, toca arrocha bastante alto pra chamar a freguesia. Do meu lado o presidente da minha instituição fala aos berros com alguém que o irritara, paralelo a isso tudo, o “Word” fecha a todo o momento, depois de disparar na tela uma caixa exibindo uma crítica de erro, tudo corre contra, mas mesmo assim eu não desisto e continuo escrevendo.

E por falar em centro de Salvador, devo dizer que já estou sinceramente de saco cheio. A todo o momento explodem manifestações sem sentido, sem embasamento, sem organização, sem alma. Comerciantes que buscam eternamente algo que nunca alcançam, negros radicais que brigam contra a aprovação da lei da maioridade penal, sob justificativa que isso atinge diretamente a população negra. Ora bolas me economize. Sem contar nos camelôs que tomam as ruas vendendo DVD de três reais, maçã de um real, pano de prato, presilha, boné, a porra toda.

As pessoas não reparam por onde andam, chocando-se contra você o tempo todo, hipnotizam-se por vitrines, entopem os shoppings, mesmo sem ter nem um centavo no bolso pra comprar um chiclete big-big ou acotovelem-se pra ver Hollifield ou Zebim numa transmissão ao vivo para a TV Aratu, no programa do Bocão, mesmo que para isso precise chegar atrasados em seus trabalhos, levar “mijada” do patrão e ainda reclamar que é incompreendido e “ômilhado”.

Tenho pena da população baiana. Se você parar no meio da rua e começar a plantar bananeira é um motivo para que logo se aglomere uma multidão ao seu redor, curiosos em presenciar tal feito, mesmo que eles não entendam bulhufas do que está acontecendo e na maioria das vezes é isso que acontece, tanta gente se aglomera ao redor de qualquer coisa, que quem está atrás passa a maior parte do tempo tentando chegar na frente pra ver o que está acontecendo, e logo percebe que não consegue entender nada, tempo perdido.

Outro dia um velho professor de filosofia resolveu inovar, parou o seu carro no Relógio de São Pedro, abriu a mala do veículo, uma adaptação de trio elétrico e começou a ministrar uma aula, a surpresa foi que ninguém ficou ao redor, ou melhor, uma mendiga seminua, dançando arrocha ao som das explicações da teoria freudiana. Passados cinqüenta minutos, o professor desistiu e revoltado gritou no microfone, “liberta-te ó meu burro povo!”. Mas, o professor não saiu sem nada, ele ganhou algo, coisa de valor, certamente receberá em sua casa o prêmio, uma multa aplicada pela viatura da SET (Superintendência de Engenharia de Tráfego).

* Leonardo Parente